domingo, 15 de fevereiro de 2015

Clausura

Dizem que era atrevida e provocante, sem tino nem freio quer no gesto, na palavra ou atitude. Não disfarçava o gosto que lhe dava o convívio com o sexo oposto, mais ainda se fosse do que pede sigilo  e discrição. Numa das muitas madrugadas de festa, conheceu um em que quis pousar de vez. Não sei por quanto tempo se acreditou na nobreza dos sentimentos que os uniam, sei que ao fim de meia dúzia de meses, ele dispensou os seus serviços sem aviso e se lançou nos braços de outra. Não contou a ninguém das suas dores, como não partilhou intenções; não se sabe se por desamor ou despeito, a rapariga de vinte e tal anos, saiu um dia de casa e não mais voltou. Tempos depois, para acalmar a agonia dos pais, escreveu uma carta a contar onde estava. Num convento. Há de lá estar há um par de anos, pelo menos. E depois de me contar isto, ele desabafou: não entendo como é que alguém pode abdicar assim da sua liberdade. Qual?