segunda-feira, 13 de julho de 2015

Frio

No pico do verão quando os dias ardem, eu aninho-me em casa de persianas fechadas à espera que passe. Lá fora, os olhos doem, o calor abafa, a cabeça pesa e o corpo não se mexe em condições. Toda a roupa sufoca, a sede não morre, não há nada que se possa fazer. Fico chata mas viro a chatice para dentro, enquanto sonho com uma neve que nunca fez parte dos meus dias. Apetece-me ferver água e enchê-la de plantas, tricotar em vermelho e montar a árvore de natal que não sai do quarto de arrumos há anos. Nunca mais é frio.