sábado, 12 de dezembro de 2015

Que Deus te perdoe

Que pena julgar cor de pele, pátria ou religião em vez de caráter, palavras e atos. Os olhos fecham diante dos tantos sem escrúpulos, desde que se assemelhem a nós. Caso contrário, é a cor dos cabelos a culpada de todas as blasfémias, ou o idioma em que se pensa, ou a posição em que se ora. Esquecendo as traições dos seus semelhantes e a falta de decência dos que lhe prometeram amor e lealdade, pôs uma expressão de santa diante de pecado, olhou para os que diferiam no detalhe e falou como se lhe faltasse alento:
- Que raça de merda. - E com uma voz doce, certa de que já estavam as desculpas aceites: - Que Deus me perdoe.