quinta-feira, 21 de abril de 2016

Animais

Quando me começo a esquecer da minha humanidade por mais que o corpo me diga que algo não está bem, tento imaginar outros animais no meu lugar. Em que mundo se pode interromper e contrariar a natureza de um bicho sem que ele se faça monstro? Somos tão animais como aqueles que não nos importamos de matar. Talvez o respeito pelo que em nós é animalesco - não será tudo? - nos salvasse. Até lá, continuaremos a definhar dentro de caixotes de betão encavalitados uns nos outros, continuaremos a acreditar que comer e dormir são questões menores, continuaremos a deixar que nos arranquem as crias mal elas nasçam, continuaremos a não esmagar quem nos proíbe de ver o céu.