sábado, 23 de abril de 2016

Engenho

Fico surpreendida com o engenho do ser humano. Em menos de vinte minutos, este senhor explica como é que daqui a vinte anos poderemos estar a viver em Marte. Um dos problemas deste planeta é que, lá, nem água nem oxigénio. Parece um problema. Mas aparentemente não é. Há cientistas e engenheiros a conceber máquinas que permitam manipular inteiramente todo o planeta. Pôr água a correr no meio das rochas, respirar através de máquinas enquanto as árvores plantadas não crescerem, viver debaixo de terra enquanto o clima for agreste para a nossa espécie. Fala-se até em modificação genética: assim, a humanidade dividir-se-ia em dois ramos distintos, os da Terra e os de Marte. Quando tudo estivesse a postos - o planeta e o grupo de humanos convenientemente manipulados - arranjar-se-ia meio de executar a travessia de quase um ano. A tecnologia necessária para suportar isto existe e está a ser desenvolvida a cada dia que passa. Impressiona. Impressiona mais ainda pensar porque é que será mais fácil modificar toda uma espécie e todo um planeta em vez de se parar de estragar o que já temos. É mais fácil inventar oxigénio do que parar de  estragar o ar que já cá está para nos encher os pulmões? É mais plausível desencantar água de um planeta que arde do que parar de conspurcar os oceanos? Espanta. Tanto engenho.