terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

História

É com fascínio e ternura que assisto à redescoberta do que antes de mim tomou lugar. Se em tempos passados, embriagados pela ideia de progresso, se jurou que o destino da humanidade era o gradual melhoramento até à perfeição, hoje encontro dúvidas em demasiados rostos - incluindo no meu. Ser posto no mundo sem saber que mundo é este, será talvez meio caminho andado para a repetição dos erros. Não gosto de falar em natureza humana e misturar princípios morais; entendo por natureza humana a posição dos órgãos, a função dos sistemas, o esqueleto, os sentidos, a matéria. Falar de ódio ou honestidade, metaforizar a espinha dorsal, trocar sentidos por sentimentos, é coisa de que procuro abster-me por não saber que chegue. Mas por que haveria a nossa espécie de caminhar, inteira, para lugar algum? Seremos parte de um todo pensante, superior em hierarquia, capaz de guinar para onde quiser, alheio às partes individuais que o compõem? Será a própria humanidade um bicho racional, constituído por pedaços soltos? 
Encontro a crença no caminho do aperfeiçoamento nas mais variadas ocasiões. Isto tem 30 anos; vê lá, fazer-se uma coisa destas naquele tempo...! - como se o passado ficasse votado à inferioridade, à rudeza, à ignorância. Como se cada geração correspondesse a um mais avançado estádio evolutivo. Adivinharia Platão que no século XXI, o século da avançada aldeia global, haveria gente a temer cor de pele, idioma, rezas e adorações? 
Ainda assim, vou regando a fé no aperfeiçoamento. Ajuda a subir quando os santos descansam do auxílio que deram na descida.