domingo, 2 de julho de 2017

Inspiração

Pedem-lhes que enumerem as fontes de inspiração, querem saber o que está por trás do verso, da melodia, do ângulo, das cores, do jeito, da máscara. Espanto-me com as respostas: o que os inspira é uma certa rua na Córsega, aquela iguaria degustada numa remota aldeia tailandesa, uma boutique encavalitada nas ruas de Paris, o safari africano que ofereceram a si próprios pelo trigésimo aniversário. Que fariam estas pessoas se vivessem numa aldeia escondida no fundo de um vale? Caminhariam secos e vazios até ao dia da morte? Não haveria nada no céu, na árvore, na terra, no cheiro de uma flor, no barulho de uma voz, na rugosidade de um pedregulho que os acendesse? 
O que me inspira é a minha insignificância.